quarta-feira, 30 de maio de 2018

Qual a sua cor preferida?



Já se perguntou qual a importância das cores na sua vida?

Qual a sua cor preferida?

Qual o significado das cores para si?

Elas estão em todos os lugares (exceto no escuro!) e não vou me debruçar sobre os aspetos físicos das cores porque isto se calhar todos aprenderam na escola… Mas o que é provável é que nem todos sentem as cores que estão ao seu redor, que usam e que fazem parte da sua vida.

O assunto sobre as CORES na vida, ou da vida, surge na sequência do que escrevi antes sobre a necessidade de contemplarmos a vida, fazermos a festa e criarmos uma vida estetizada. Ter um ponto de vista mais poético da vida, passa por sentirmos as cores que nos rodeia. Sentir! Não é só ver as cores…

As cores são opticamente percebidas e psiquicamente vividas” (Kandinsky)

Leia os próximos itens para saber como trazer mais CORES para sua vida:


1. Atenção às cores que veste
Elas refletem o nosso estado de espírito e as nossas emoções. Quebre o padrão daquele preto/branco, azul escuro, castanho. Nada contra a estas cores, mas faça com que o seu corpo carregue a cor que tem realmente significado para si mesmo. Qual a cor que quero carregar em mim hoje?

2. Experimente pintar
Há quanto tempo não pega num lápis de cor, numa canetinha de feltro ou em qualquer coisa que risca e mancha com cores?
Arrisca, experimenta! Não precisa saber desenhar, só riscar e sentir as cores. As formas surgem por si só…mas o importante é preencher-se de emoções através da vivência das cores, ou também, expressar suas emoções através das cores!

3. Fuja do padrão
Encontre o seu próprio significado nas cores. Não importa se preto é cor de luto, amarelo é alegria, vermelho é raiva e por aí vai… O importante é o significado que você mesmo dá as cores! Esses significados surgem através das associações que fazemos às memórias, vivências e experiências na vida, também traços da nossa personalidade.


A natureza eu quis copiá-la; não consegui. Eu procurava, virava, pegava-a em todos os sentidos, em vão: irredutível. De todos os lados, mas fiquei contente comigo mesmo quando descobri que o sol, por exemplo, não podia ser reproduzido, mas era necessário representá-lo por outra coisa... pela cor... Só há um caminho, para exprimir tudo, para traduzir tudo: a cor. A cor é biológica, se posso assim dizer. A cor é viva, só ela é capaz de tornar as coisas vivas.
Cézanne


quarta-feira, 23 de maio de 2018

O artista morre. A arte é para sempre!

O artista morre. A arte é para sempre.
O artista vive. A arte tem vida própria.
O artista discursa. A arte fala.
O artista pinta. A arte dialoga.
O artista conceitua. A arte expressa.
O artista é único. A arte é universal.
A artista morre. A arte tem espírito.
Não existe arte, apenas artistas.*


Júlio Pomar  (1926 - 2018) 

Os cegos de Madrid,1959




*Gombrich, 1993.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

4 Dicas para estimular a criatividade das crianças



Hoje o mundo é delas! Nunca houve tanto mercado nem tantos programas culturais (ou desculturais...) para crianças. Antigamente ficávamos felizes por assistir desenhos animados... Concertos para crianças? Festivais? Músicas para bebés eram aquelas que as avós nos cantavam. E não era por isso que tínhamos uma infância pouco criativa!

Mas um adulto criativo é resultado de uma vivência rica de experiências significativas que estimule o sistema simbólico da criança para que a sua imaginação não tenha limites! De amor e carinho também, é claro.

Não é preciso cansar a criança com programas fantásticos, e caros! Muitas vezes as coisas mais simples podem ser super divertidas e criativas. Mas diversão por si só não basta. Tem que tocar a alma. E pode até ser que uma coisa ou outra nem seja assim tão divertida. Mas, significativas são aquelas experiências que uma criança nunca se esquece e faz parte da formação e do crescimento da sua identidade.

1. Programas artísticos
Muitas vezes pensamos que elas vão achar uma grande chatice aquele concerto de música clássica, mas é surpreendente como elas param e ouvem. Pode até parecer que estão a achar uma seca, mas são experiências que ficam para sempre. Aquela exposição de arte contemporânea complicadíssima ou aquele museu de obras antigas... Não subestime os pequenos pensando que não vão aderir a esses programas. Eles se envolvem com as imagens e com os ritmos. Percebem que o mundo é muito mais vasto do que as imagens que veem na internet e na televisão. E acima de tudo ampliam a caixinha da imaginação, que fica para vida toda. Imaginação, espontaneidade, crescimento!

2. Ouvir vários tipos de música
Uma criança quando está a crescer e descobre a música, não deixa de se envolver no pop, no que toca na rádio, nos vídeos e na TV... É importante uma criança ter contacto com outras formas musicais, de vários tipos, de várias épocas, para perceber, e sentir, o poder expressivo da música, que é uma linguagem universal e que eleva a alma. Isto proporciona uma abertura para várias culturas e vários estados de espírito. Flexibilidade e ecletismo.

3. Conversar, conversar sobre tudo
Na medida da compreensão da criança, conversar sobre os assuntos gerais é fundamental. Sobre a atualidade, os assuntos do jornal, os assuntos familiares, as questões da vida fora de casa. Assim eles vão formando um senso crítico e analítico sem ficarem formatados pelas opiniões prontas ouvidas pela mídia que nem sempre é inteligente. Crescer com opinião própria sem ser produto do meio.

4. Contemplar a natureza
Isto não tem nada de transcendental. Mas até pode ter se você quiser... mal não vai fazer. Mas contemplar a natureza proporciona uma abertura a inúmeras possibilidades e uma vivência riquíssima de observação, concentração, estímulo ao sistema sensorial, pelos cheiros, temperaturas, sabores, sensações. O mar, a terra, o céu, os passarinhos, os sons, as estrelas, as cores! Ser sensível à natureza é encontrar o melhor de si mesmo e dos outros. Ser genuíno e generoso. 



terça-feira, 8 de maio de 2018

3 coisas que você precisa saber sobre Arte-Terapia



1.  Você não precisa ser artista
A Arte-Terapia é para todos! Para fazer Arte-Terapia não precisa ser um artista ou mesmo ter jeito para desenhar ou pintar. Só precisa ter vontade e motivação para desenvolver um processo criativo que valoriza tanto um traço no papel como um desenho completo.

2. A arte não cura!
Arte por si só não cura. Senão seriam os artistas as pessoas mais sãs da face da terra...todos temos problemas e inadaptações... O que cura é a arte no contexto psicoterapêutico, ou seja, o processo criativo. Assim o que cura é a Terapia juntamente com a Arte, as duas juntas num todo, com uma técnica própria. É o processo e a relação que podem vir a curar. Mais profundamente falando, é você que cura a si mesmo!

3. A arte é uma ponte
A arte em Arte-Terapia é um caminho para expressar o que se sente e se tem dificuldade em perceber e interiorizar. A criação em terapia ajudar a ultrapassar traumas, entender processos internos e resolver vivências dolorosas. Então, ao invés de se atravessar um rio com águas conturbadas, a arte faz a ponte para o melhor de si mesmo.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sobre a Arte-Terapia

Uma palavrinha minha, hoje no DN :)

"o desenvolvimento criativo permite encontrar significado para a vida, saídas mais criativas para os problemas". A criatividade, frisa, é muito importante para a saúde mental. 

https://www.dn.pt/portugal/interior/a-arte-e-uma-terapia-ate-e-mais-abre-a-porta-para-o-mundo-9301671.html


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Arte, raízes e história

Um artista que aprecio tanto a sua pintura, as suas cores, as suas formas...numa época em que é difícil sentir esses elementos básicos na arte contemporânea. Me faz bem aos olhos e ao sentir. As cores de Luiz Áquila me confortam. A abstração deixa fluir. É como se fosse um cobertorzinho quente que me acolhe os sentidos.

Luiz Áquila é um artista do Rio, com um percurso muito ativo que o destacou no cenário da arte brasileira. Uso um vídeo seu numa das aulas de História da Arte que dou todos os anos. Nesse vídeo ele define bem alguns conceitos artísticos que a Arte-Terapia vai beber, como a função social da arte, a criação/fruição da arte, forma e conteúdo. O fazer na arte, o saber através da arte. E pontes, a arte como uma ponte entre o Si Mesmo e o Mundo.

"Como nós não somos inteiros precisamos de arte."

                                                                                                                                                   (1987)

Sim, sim precisamos! Navegar é preciso, viver não é preciso!

Precisamos de arte mais do que podemos imaginar!



Depois, numa coincidência, mesmo não acreditando em coincidências, até porque foi através disso que eu o conheci (o seu trabalho, não pessoalmente). Amamos os dois uma cidade da serra do Rio que se chama Petrópolis. Linda, antiga, cheia de história.

Em Petrópolis tenho minhas raízes, boas histórias e boas lembranças. Grandes e pequenas lembranças, como as pantufas divertidas do Museu Imperial. O Crémerie, o Palácio de Cristal, a Catedral, as amigas de infância. A missa com a avó.

As casas, as ruas, a arte, coisas que vim a redescobrir mais tarde. Mas que me são sempre muito familiar. Histórias...contar histórias é preciso!

                                                      (Casa do Ipiranga ou Casa dos Sete Erros)


terça-feira, 24 de abril de 2018

"O mar é o caminho eterno"

No último domingo estive com Taku Kosugi, um rapaz japonês cheio de poesia no coração que percebeu o quanto se pode falar de sentimentos através das imagens. Ele estudou a caligrafia japonesa (SHO) com a sua avó e logo percebeu que poderia ser um meio de expressão das suas emoções.

Através de uma posição muito concentrada, com gestos que acompanham a sua emoção, faz surgir imagens que são mais do que palavras.

"O mar é o caminho eterno"

Assim expressou Kosugi ao referir-se a uma ligação entre Portugal e o Japão. Ambos que tem uma ligação especial com o mar.