sexta-feira, 18 de maio de 2018

4 Dicas para estimular a criatividade das crianças



Hoje o mundo é delas! Nunca houve tanto mercado nem tantos programas culturais (ou desculturais...) para crianças. Antigamente ficávamos felizes por assistir desenhos animados... Concertos para crianças? Festivais? Músicas para bebés eram aquelas que as avós nos cantavam. E não era por isso que tínhamos uma infância pouco criativa!

Mas um adulto criativo é resultado de uma vivência rica de experiências significativas que estimule o sistema simbólico da criança para que a sua imaginação não tenha limites! De amor e carinho também, é claro.

Não é preciso cansar a criança com programas fantásticos, e caros! Muitas vezes as coisas mais simples podem ser super divertidas e criativas. Mas diversão por si só não basta. Tem que tocar a alma. E pode até ser que uma coisa ou outra nem seja assim tão divertida. Mas, significativas são aquelas experiências que uma criança nunca se esquece e faz parte da formação e do crescimento da sua identidade.

1. Programas artísticos
Muitas vezes pensamos que elas vão achar uma grande chatice aquele concerto de música clássica, mas é surpreendente como elas param e ouvem. Pode até parecer que estão a achar uma seca, mas são experiências que ficam para sempre. Aquela exposição de arte contemporânea complicadíssima ou aquele museu de obras antigas... Não subestime os pequenos pensando que não vão aderir a esses programas. Eles se envolvem com as imagens e com os ritmos. Percebem que o mundo é muito mais vasto do que as imagens que veem na internet e na televisão. E acima de tudo ampliam a caixinha da imaginação, que fica para vida toda. Imaginação, espontaneidade, crescimento!

2. Ouvir vários tipos de música
Uma criança quando está a crescer e descobre a música, não deixa de se envolver no pop, no que toca na rádio, nos vídeos e na TV... É importante uma criança ter contacto com outras formas musicais, de vários tipos, de várias épocas, para perceber, e sentir, o poder expressivo da música, que é uma linguagem universal e que eleva a alma. Isto proporciona uma abertura para várias culturas e vários estados de espírito. Flexibilidade e ecletismo.

3. Conversar, conversar sobre tudo
Na medida da compreensão da criança, conversar sobre os assuntos gerais é fundamental. Sobre a atualidade, os assuntos do jornal, os assuntos familiares, as questões da vida fora de casa. Assim eles vão formando um senso crítico e analítico sem ficarem formatados pelas opiniões prontas ouvidas pela mídia que nem sempre é inteligente. Crescer com opinião própria sem ser produto do meio.

4. Contemplar a natureza
Isto não tem nada de transcendental. Mas até pode ter se você quiser... mal não vai fazer. Mas contemplar a natureza proporciona uma abertura a inúmeras possibilidades e uma vivência riquíssima de observação, concentração, estímulo ao sistema sensorial, pelos cheiros, temperaturas, sabores, sensações. O mar, a terra, o céu, os passarinhos, os sons, as estrelas, as cores! Ser sensível à natureza é encontrar o melhor de si mesmo e dos outros. Ser genuíno e generoso. 



terça-feira, 8 de maio de 2018

3 coisas que você precisa saber sobre Arte-Terapia



1.  Você não precisa ser artista
A Arte-Terapia é para todos! Para fazer Arte-Terapia não precisa ser um artista ou mesmo ter jeito para desenhar ou pintar. Só precisa ter vontade e motivação para desenvolver um processo criativo que valoriza tanto um traço no papel como um desenho completo.

2. A arte não cura!
Arte por si só não cura. Senão seriam os artistas as pessoas mais sãs da face da terra...todos temos problemas e inadaptações... O que cura é a arte no contexto psicoterapêutico, ou seja, o processo criativo. Assim o que cura é a Terapia juntamente com a Arte, as duas juntas num todo, com uma técnica própria. É o processo e a relação que podem vir a curar. Mais profundamente falando, é você que cura a si mesmo!

3. A arte é uma ponte
A arte em Arte-Terapia é um caminho para expressar o que se sente e se tem dificuldade em perceber e interiorizar. A criação em terapia ajudar a ultrapassar traumas, entender processos internos e resolver vivências dolorosas. Então, ao invés de se atravessar um rio com águas conturbadas, a arte faz a ponte para o melhor de si mesmo.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sobre a Arte-Terapia

Uma palavrinha minha, hoje no DN :)

"o desenvolvimento criativo permite encontrar significado para a vida, saídas mais criativas para os problemas". A criatividade, frisa, é muito importante para a saúde mental. 

https://www.dn.pt/portugal/interior/a-arte-e-uma-terapia-ate-e-mais-abre-a-porta-para-o-mundo-9301671.html


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Arte, raízes e história

Um artista que aprecio tanto a sua pintura, as suas cores, as suas formas...numa época em que é difícil sentir esses elementos básicos na arte contemporânea. Me faz bem aos olhos e ao sentir. As cores de Luiz Áquila me confortam. A abstração deixa fluir. É como se fosse um cobertorzinho quente que me acolhe os sentidos.

Luiz Áquila é um artista do Rio, com um percurso muito ativo que o destacou no cenário da arte brasileira. Uso um vídeo seu numa das aulas de História da Arte que dou todos os anos. Nesse vídeo ele define bem alguns conceitos artísticos que a Arte-Terapia vai beber, como a função social da arte, a criação/fruição da arte, forma e conteúdo. O fazer na arte, o saber através da arte. E pontes, a arte como uma ponte entre o Si Mesmo e o Mundo.

"Como nós não somos inteiros precisamos de arte."

                                                                                                                                                   (1987)

Sim, sim precisamos! Navegar é preciso, viver não é preciso!

Precisamos de arte mais do que podemos imaginar!



Depois, numa coincidência, mesmo não acreditando em coincidências, até porque foi através disso que eu o conheci (o seu trabalho, não pessoalmente). Amamos os dois uma cidade da serra do Rio que se chama Petrópolis. Linda, antiga, cheia de história.

Em Petrópolis tenho minhas raízes, boas histórias e boas lembranças. Grandes e pequenas lembranças, como as pantufas divertidas do Museu Imperial. O Crémerie, o Palácio de Cristal, a Catedral, as amigas de infância. A missa com a avó.

As casas, as ruas, a arte, coisas que vim a redescobrir mais tarde. Mas que me são sempre muito familiar. Histórias...contar histórias é preciso!

                                                      (Casa do Ipiranga ou Casa dos Sete Erros)


terça-feira, 24 de abril de 2018

"O mar é o caminho eterno"

No último domingo estive com Taku Kosugi, um rapaz japonês cheio de poesia no coração que percebeu o quanto se pode falar de sentimentos através das imagens. Ele estudou a caligrafia japonesa (SHO) com a sua avó e logo percebeu que poderia ser um meio de expressão das suas emoções.

Através de uma posição muito concentrada, com gestos que acompanham a sua emoção, faz surgir imagens que são mais do que palavras.

"O mar é o caminho eterno"

Assim expressou Kosugi ao referir-se a uma ligação entre Portugal e o Japão. Ambos que tem uma ligação especial com o mar.





quinta-feira, 19 de abril de 2018

Vamos à festa!



É bom inventar rituais para celebrar certas ocasiões. Fazê-lo é um dos ensinamentos que melhor nos podem ajudar. Todos podemos aprender a ser nobres, a manifestar um sentido de dignidade que possa encarnar em cada uma das nossas acções (…) É este o verdadeiro sentido da festa.[1]


O filósofo francês Fabrice Midal refere que segundo Nietzsche, “a festa é a maneira de aprovar a vida de forma incondicional, de ultrapassar o niilismo, o ressentimento e o ódio larvar que a tudo corrompe. Na festa, todas as angústias e as tristezas são reconhecidas, sem que tenhamos de as negar ou de as esquecer”. Compreendemos então que a festa é uma vivência profunda do real, sendo o contrário de uma fuga ou explosão de divertimentos escapistas. 

O autor continua, sobre sua citação de Nietzsche, que na Grécia Antiga “dedicavam-se, a uma espécie de festa a todas as suas paixões e a todas as suas pérfidas inclinações, e que tinham mesmo instituído, por intermédio do Estado, uma espécie de regulamentação para celebrar aquilo que para eles era demasiado humano. Isto era tido como algo inevitável e preferiam em vês de o injuriar, atribuir-lhe uma espécie de direito de segunda ordem, introduzindo-o nos hábitos da sociedade e do culto”.[2]

No desenrolar de uma festa e de um ritual percebemos uma variedade de manifestações criativas e artísticas, como a introdução de músicas, ornamentos e enfeites, roupas, cores, danças, alimentos, cheiros, versos e rezas. A envolvência nesses elementos leva-nos a vivenciar uma enxurrada emoções!

"Este é o verdadeiro sentido da festa!"[3]

Na festa não nos perdemos, nos encontramos. Entramos pessoas, sentimentos, encontramos o melhor e o pior de nós próprios. Vestimos máscaras, tiramos máscaras. Midal refere que a festa não é uma fuga. A festa enquanto ritual concentra-nos no que nos faz mais sentido e numa vida estetizada, a partir de um ponto de vista poético, com nuances de cores, com formas que nos completam. Um encontro a uma gestalt do Eu, num sentimento de forma integrada, estabelecida pela capacidade de perceção diferenciada de si mesmo, ampliada e total. 

Um processo criativo é um ritual e uma festa, e é repleto de métodos que expressam aspectos de si mesmo. A espontaneidade também lá está, uma vez que através da festa abrimo-nos para uma experiência que muito se utiliza do imaginário e da criatividade. 

Criar é uma festa!



[1] Midal, F. (2010). Inventar a liberdade. Círculo de leitores. Lisboa. p. 92
[2] p. 94
[3] p. 93


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Venenos e autoconfiança


Muito se fala sobre as pessoas tóxicas que possivelmente podemos conviver ou venenos que podemos provar...
Manter o equilíbrio entre confusões relacionais às vezes parece impossível, mas a consciência ampliada e ao mesmo tempo o foco nas próprias emoções proporcionam alguma da segurança desejada - a tal da autoconfiança. A imagem que me vem à cabeça são as ginastas olímpicas que fazem saltos, movimentos fantásticos, com um equilíbrio perfeito, em barras muito finas... De vez em quando o pé resvala... de vez em quando se cai... mas elas se levantam e começam tudo de novo.

Há pessoas tóxicas sim, mas elas estarão sempre lá... não adianta muito fugir... a distância está dentro da gente, no próprio sentir. Na decisão de tomar ou não o veneno que nos oferecem. Porquê assim o problema será sempre por causa dos outros (e não dos outros), quando na verdade o sentir é nosso.

E se o problema é dos outros, então onde está o problema?

Já agora, o trabalho corporal em Arte-Terapia é integrado com as artes plásticas sendo altamente expressivo e com um enorme potencial de elaboração criativa. Também não preciso dizer o quanto dançar é libertador... Não é a toa... Com movimentos corporais muito simples podemos promover uma visão diferenciada de si mesmo e trabalhar para o desenvolvimento de mais autoconfiança, mais auto-estima e uma noção mais real da própria capacidade de renovação.

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